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Entrevista com Patrick Rothfuss

  • 01/11/2011
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É com muito prazer que anunciamos uma entrevista exclusiva com Patrick Rothfuss, best seller do The New York Times e diversos outros meios de comunicação mundiais.

Patrick Rothfuss é autor da série A Crônica do Matador do Rei, composta atualmente pelos livros O Nome do Vento (publicado em 2007 nos EUA e fim de 2009 no Brasil) e The Wise Man’s Fear (publicado no primeiro trimestre desse ano nos EUA e com previsão de lançamento para o fim desse ano aqui no Brasil).

O primeiro livro conta a trajetória de Kvothe, um personagem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso, e seus esforços para ingressar na universidade de magia. Leia mais sobre A Crônica do Matador do Rei.

Em um primeiro momento surgem comparações com a saga Harry Potter, principalmente pela “magia” encontrada no livro, mas posso afirmar que tudo em O Nome do Vento é mais sutil e, porque não dizer, mais coerente, mesmo se tratando de fantasia.

Leiam a entrevista e conheçam um pouco mais sobre esse mundo.

Sobre Livros: Primeiramente, gostaríamos de saber qual foi a sua maior inspiração para escrever A Crônica do Matador do Rei. Quando adolescente você já pretendia seguir este caminho? O que o impulsionou?
Patrick Rothfuss:
Eu queria ser um escritor desde o tempo que consigo me lembrar. E eu li muito enquanto estava crescendo. Muito mesmo. Comecei a ler com 12 ou 13 anos e lia um livro por dia, às vezes dois. A maioria deles eram fantasia e ficção científica. O problema é que após alguns anos lendo um livro por dia, você começa a perceber que as histórias são basicamente as mesmas. Eu comecei a me cansar do padrão de fantasias a lá Tolkien. Alias, eu comecei a me irritar com todos os clichês padrões da fantasia. Então eu decidi tentar contar um diferente tipo de história, uma que deixasse todas essas convenções para trás. Não apenas outra cópia de Tolkien. Então eu fiz uma lista com todas as coisas que eu não queria em meu livro. Sem Hobbits, sem feiticeiros malvados tentando destruir o mundo, sem elfos com arcos e anões com machados. Nenhuma jornada para parar o mal indescritível. Meu livro seria algo diferente.

SL: O Nome do Vento possui vários personagens diferentes, porém não há sequer um traço que os coloque como iguais. Quais foram suas maiores dificuldades na criação de tantas personalidades diferentes?
PR: Partes do livro foram realmente difíceis para mim, mas isso não foi uma delas. Criar novos personagens é quase um hobby para mim. É uma das partes fáceis de escrever.

SL: Em especial, como foi desenvolver Kvothe e quais são as mudanças que podemos esperar nele em The Wise Man’s Fear?
PR: Kvothe cresceu junto com a história. Eu tinha uma idéia sobre ele quando a história começou, mas isso mudou à medida que fui escrevendo. Então de certa forma, eu estive trabalhando em seu personagem há mais de dez anos agora. Em relação à The Wise Man’s Fear…Bem, eu realmente não acredito em spoilers, mas eu posso seguramente dizer que Kvothe cresce no segundo livro. Ele aprende mais sobre magia, aprende como lutar, se vê envolvido em algumas questões políticas e começa a desvendar alguns mistérios do romance e dos relacionamentos, que não deixam de ser um tipo de magia se você parar para pensar sobre isso.

SL: Após o lançamento de O Nome do Vento, a série A Crônica do Matador do Rei se destacou no universo literário e por várias vezes você é dado como um sucessor de J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis. Como é lidar com as comparações que ocorrem ao longo das mídias sociais? Você é a favor ou contra estas comparações?
PR: Sim, já faz alguns anos que as pessoas têm me comparado a alguns grandes nomes: Tolkien, Gaiman, Hobb. Isso é legal, mas na maior parte do tempo, eu não acho que as pessoas estão comparando o meu trabalho com o desses autores. Eu acho que o que eles estão realmente dizendo é: “Eu gosto de você tanto quanto eu gosto de George R.R. Martin” ou “Eu acho que os seus livros merecem ser tão bem sucedidos quanto os do Rowling” sem importar se eu gosto ou não dos livros ou do autor que eles estão mencionando. (Apesar de que eu realmente gosto de Tolkien, Gaiman e Hobb.) O que importa é que eles gostam daquele livro ou autor. Isso é o que importa no elogio, eles estão me comparando aos seus autores preferidos. É sempre lisonjeiro quando as pessoas dizem coisas assim.

SL: The Wise Man’s Fear será lançado apenas no fim desse ano aqui no Brasil, e os fãs já estão se remoendo para saber quais serão as novidades neste segundo dia da história de Kvothe. Poderia nos dar uma pequena prévia do que nos espera? Houve um foco maior em ação, romance, aventura ou misticismo?
PR: Mais magia. Mais sexo. Mais Violência. Mais Kvothe. Mais Misticismo. Mas, vocês sabem não tudo em uma mesma cena. Eu vou deixar essa combinação em particular para os escritores de fanfics. Acho que isso é tudo que vou dizer. Como disse, eu não gosto de spoilers.

SL: A magia existente em O Nome do Vento impressiona por ser mais realista e concreta, sem perder o toque de fantasia ou deixá-la exagerada como muitas vezes ocorre nas obras contemporâneas. Qual sua opinião com relação ao nível que devemos ter dos dois pólos?
PR: Não há nenhuma resposta. Não há uma única receita que leve a um bom livro de fantasia, da mesma forma que não há uma única receita para bolo. Muita coisa depende de que tipo de história você está contando. Alguns livros são leves e divertidos como os de Terry Pratchett. Alguns são sombrios e sinistros como os de Joe Abercrombie. Mas ambos são boas fantasias, eles são apenas sabores diferentes.

SL: O mundo criado para desenvolver a série se mostra amplo e quase tátil, com culturas diferentes, cidades diferentes e até moedas diferentes, e acabamos O Nome do Vento com a sensação de que há muito mais coisas a se ver e descobrir nele. Você teve de se policiar para equilibrar a demonstração desta cultura com o enredo do livro? Haverá uma maior profundidade deste mundo em The Wise Man’s Fear?
PR: É um erro comum dos autores de fantasia descrever demais o mundo que criaram em seus livros. Se você passa muito tempo descrevendo o mundo, seu livro fica parecido com um atlas ou um livro didático. Eu tentei ao máximo evitar isso, então eu tentei sempre me concentrar primeiro na história para depois me deter no mundo. No livro dois, nós vemos mais do mundo com certeza. Kvothe viaja um pouco, e vemos partes inteiramente novas dos Quatro Cantos.

SL: Algo que impressiona na obra é a forma como nos prendemos a narrativa mesmo sem o uso constante de antagonistas. Em The Wise Man’s Fear se obtém o mesmo efeito, ou teremos uma maior participação deles? Em sua opinião, o que um antagonista necessita para ser aceito pelo público sem parecer estereotipado?
PR: Eu vou passar essa questão. É uma boa pergunta, mas não consigo pensar em uma resposta que não tenha 5.000 palavras…

SL: Consideramos a música um dos pontos fortes em relação à originalidade apresentada em O Nome do Vento, e sua inclusão na história, mesmo que não afete o andamento do enredo em si, foi muito bem aceita pelos leitores. A sua importância será ampliada com o passar da série?
PR: Absolutamente. A música é um elemento chave na vida de Kvothe. Seria impossível contar a sua história sem ela…

SL: Qual é a sua expectativa para o terceiro livro? Ele está bem adiantado ou ainda teremos que esperar um pouco mais pelo livro (nós mais ainda aqui no Brasil)?
PR: Eu comecei, mas ainda há muito o que fazer. Há muitas coisas que eu preciso acertar. E eu não quero que ele seja apenas bom, eu quero que ele seja maravilhoso.

SL: Você já afirmou em várias entrevistas que haverão mais livros após a trilogia A Crônica do Matador do Rei, já possui alguns esboços em sua mente? Além de personagens secundários, também utilizará os personagens principais da trilogia inicial?
PR: Sim e sim. Mas não vou dizer nada além disso.

SL: Houve algum momento, enquanto escrevia os livros, em que o caminho que a história tomou te surpreendeu? Qual foi?
PR: Eu fui surpreendido muitas vezes.Centena de vezes, na verdade. Muitas pessoas acham que escrever trata-se apenas de comunicação. Elas acham que nós escritores começamos com algo em nossas mentes, então nos sentamos e passamos para o papel. Mas isso não é verdade. Bem claro, às vezes é assim. Mas, a escrita é, com maior freqüência, um processo de descoberta. Às vezes eu me sento para escrever sem saber que direção a história irá seguir. Em outros momentos, eu acho que sei a direção que ela vai seguir, apenas para descobrir que é melhor fazer de outra maneira. Em minha opinião, o segredo é manter a mente aberta. Você precisa estar disposto a mudar de direção se a história precisar tomar um caminho diferente do que você havia planejado.

SL: Tem algum ritual que você costuma usar para poder escrever, como por exemplo: Se isolar, escrever escutando música?
PR: Eu bebo uma grande xícara de café ou chá e começo a escrever. Eu também tento separar uma grande quantidade de tempo. Se eu conseguir me concentrar, eu quero ser capaz de escrever pelo menos por duas horas.

SL: Além do mundo criado em torno de Kvothe, você já pensou em alguma outra história fora do mundo fantástico de A Crônica do Matador do Rei?
PR: Claro! Eu tenho algumas idéias para outros livros. Mas eu realmente preciso terminar o terceiro livro primeiro. Eu devo isso aos meus leitores.

SL: Quando pretende visitar o Brasil? Você possui realmente muitos fãs por aqui, um bom momento seria a Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, no início de setembro, não houve ainda qualquer proposta para sua vinda?
PR: Eu espero conseguir visitar o Brasil, mas está muito difícil de viajar esses dias. Eu tenho um bebê e eu odeio ficar longe dele por muito tempo. Ele sente falta do seu papai quando estou fora. E eu odeio não estar perto dele para vê-lo crescer…

SL: Escritor Preferido?
PR: Tanto Neil Gaiman quanto o Terry Pratchett

SL: Filme Preferido?
PR: Essa é difícil. Talvez Clube da Luta?

SL: Frase Preferida?
PR: “Para baixo, além do fim da velha escada de pedra”. Soa muito bem em inglês e você vai ter de confiar em mim nessa.

SL: Trecho preferido de O Nome do Vento?
PR: “Você não é sábio o suficiente para temer-me como eu deveria ser temido”

SL: Trecho preferido de The Wise Man’s Fear?
PR: “Um longo período na estrada irá te ensinar mais sobre você mesmo do que cem anos de uma silenciosa introspecção”

SL: Pode nos dar algum trechinho do 3º livro? Seria fantástico.
PR: Isso é interessante. Eu não dou spoilers, mas acho que eu posso provocar um pouco a ansiedade de vocês… Aqui está a ultima frase de um trecho de uma música que Kvothe canta: “E Ouçam: Nenhum lamento, nenhuma mulher está chorando.”

SL: Uma mensagem para seus fãs brasileiros:
PR: Muito Obrigado por se arriscarem com um novo autor. Muitos de vocês têm me enviado e-mails para me dizer que gostaram dos livros. É maravilhosamente lisonjeiro. Eu espero ter a chance de ir visitar vocês logo…

Bem, esperamos que tenham gostado dessa entrevista exclusiva com Patrick Rothfuss, ele foi extremamente solícito e nos respondeu quase que prontamente, obrigado Pat =D

Fonte: Sobre Livros

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